quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Resenha do filme SURPLUS


Documentário Surplus

O filme Surplus produzido por Erik Gandini faz uma crítica ao consumismo e ao grande problema social e econômico criado pela sociedade capitalista, faz uma comparação a países pobres e países ricos. Por exemplo, mostra o isolamento do rapaz Sueco com a sociedade consumista, um milionário que gasta seu dinheiro de forma leviana. Embora não lhe falte nada material, há um enorme vazio. Em contrapartida mostra uma cubana que adquire um desejo insaciável por todo este consumismo, é nítido como ficou encantada com um BIG MAC e ao mesmo tempo com a diversidade que a mídia  oferece, dizia o quanto achou maravilhoso o fato de poder comer e ao mesmo tempo trocar os canais da televisão. Esses são fatores que passam desapercebidos pela sociedade porque já existe um costume sob essas ações,  no caso da segunda personagem citada há a formação de um conjunto de ideias e crenças, fazendo-a acreditar que a felicidade está no consumismo. Assim como gerado no consumidor em geral.

A televisão e todo meio midiático é também algo persistente no filme a forma com que o capitalismo controla e manipula a sociedade contemporânea, enfatiza a indução para o consumismo, algo que fixe na mente do telespectador “compre mais, gaste mais, compre no McDonald’s, tome Coca-Cola, assista a Gobo, MTV,...”, a mídia é um sistema problemático culturalmente, é um meio que transmite excessos de informações o tempo todo, em Surplus fica claro a ideia da robotização e alienação da sociedade que é afetada diretamente pela mídia.

Uma das cenas interessante e curiosa que vale ressaltar também é a produção de bonecos feitos de silicone, para satisfação e prazer tanto masculino quanto o feminino. Esses bonecos possuem órgãos genitais feitos com materiais bem realísticos. Considerados uma inovação do mercado do sexo. Fica explicito que o próprio humano criador de objetos que podem substituí-lo em qualquer situação.



Surplus nos coloca a pensar sobre o processo de globalização com suas imposições ao mundo atual, ao assistir o filme, nos sentimos desconfortáveis com todas aquelas cenas e mixagens rítmicas com as falas, movimentos e expressões, atendendo o objetivo de que a ideia fixe em nossas mentes.

O filme Surplus une um conjunto de ideias similar ao da escola teórica de Frankfurt, que tem como conceito o ser humano unidimensional, acreditando que a indústria cultural padroniza os produtos para vender, de forma que os consumidores sejam completamente alienados. A indústria produz enormes quantidades de um único produto, logo várias pessoas compram deste mesmo produto. A mesma coisa com a mídia, em apenas trinta segundos numa propaganda que induz o individuo obter o desejo do consumo, várias pessoas tem acesso àquela mesma informação ao mesmo tempo, o que direciona a manipulação da consciência da massa social, e consequentemente atinge a cultura padronizando e moldando-as para fazer parte dos padrões da sociedade consumidora.




Surplus retrata bem esse processo de massificação, na criação dos produtos, na forma usada para induzir o consumidor a gastar de forma exacerbada, apontam produtos dos quais não existem motivos de ser consumido, mas através de propagandas, o consumidor sente a necessidade de ter aquele determinado produto para suprir um desejo que foi criado através da própria mídia. E é exatamente isso que o comunista Karl Marx ressalta, como o ser humano pode ser moldado, e transformado em máquinas.

Esse consumismo cresce cada vez mais, mas porque a sociedade se submete a trabalhar mais e ser manipulada, pois trabalham por mais tempo, às vezes ganham mais, gastam exatamente o que ganham, além de fazerem dívidas em créditos, logo o consumismo aumenta gradativamente. Este é um enorme circulo vicioso: O ser humano sem perceber se coloca apto, trabalha, recebe seu salário, se deixa levar pela mídia, consome o que pode e o que não pode, e se dispõem a trabalhar mais e mais para alimentar este vício chamado consumismo crescente.

Trailler Surplus, no youtube




O filme completo, legendado