segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Abandonando o barco

Matéria publicada na edição 348 - Revista 7 dias

O que fazer para manter todos seus direitos preservados quando já não é mais possível voltar à empresa, nem mesmo para dar tchau!

Por Joyce Barreto Chicon

No BBB 10, a policial Anamara corre o risco de ser presa por abandono de trabalho
Já pensou em jogar tudo pro alto e não voltar nunca mais à empresa? Você talvez não seja a única, mas antes de colocar isso em pauta, pense em todas as consequências que podem arrasar com sua carreira profissional. No Big Brother Brasil, a policial Anamara Barreiro corre o risco de ser presa ao sair do reality show. É que quando ela soube que participaria do programa, pediu férias da corporação, onde deveria retornar até 2 de fevereiro, Mas como tudo indica que não conseguirá sair da casa antes disso, poderá pegar de seis meses a dois anos de detenção por não ter licença de se ausentar. O comportamento da sister é caracterizado abandono de emprego que consiste em falta grave e até justa causa, alerta o advogado Ângelo Carbone. Para quem tem carteira assinada, explica, só é considerado abandono de emprego com 30 dias de ausência, sem justificativa. “Neste caso, o funcionário será convocado a comparecer em um período de 24 horas e o não comparecimento implica justa causa”, adverte Carbone. Buscar crescimento e algo melhor para a carreira sempre é valido, mas com prudência, tire um tempo nas folgas e nas horas vagas para ir atrás de algo que julgue melhor. Não abra mão de tudo sem pensar. Lembre-se: arrumar um bom emprego é o mesmo que achar uma agulha em palheiro. Não é impossível, mas está difícil pra todo mundo.

Punições
Se abandonar o posto, o funcionário perderá não receberá seus benefícios previstos em contrato e nem o seguro-desemprego. Cabe ao patrão descontar a falta do aviso prévio e as férias. Se faltar por saúde, deve ligar e avisar ao chefe, retomando á empresa com atestado médico. O documento deve ser outorgado por uma entidade pública (pronto-socorro, hospital municipal ou estadual, ou médico do INSS).

A morena não teve receio de preferir o programa à carreira
“Meu patrão é um pilantra”
É evidente que o empregado não deve ser cúmplice de ações ilícitas na empresa. Neste cenário, procure um advogado e entre com uma ação trabalhista pedindo a declaração da rescisão indireta do contrato de trabalho. Também não esqueça de buscar indenização por danos morais. Por fim, se for processada ou mesmo presa pelas práticas ilegais do patrão conte a verdade, informe que desconhecia que os atos que estava praticando em nome do dono da empresa era crime e auxilie a justiça no desfecho do caso. “Estava trabalhando há dois meses como secretária num consultório de advocacia. Um dia, meu chefe me pediu pra levar uma caixa de arquivos ao porteiro. Cumpri a determinação. Quando voltei, ele estava ao telefone dizendo que o problema estava resolvido e que a caixa não estava mais no escritório. Não deu cinco minutos e a polícia apareceu procurando a tal da caixa. Fiquei assustadíssima e sem reação. Não pensei duas vezes: no outro dia pedi demissão”, conta Letícia Ramos. “Agindo como ela, certamente você será absolvida e terá seus direitos preservados”, assegura Carbone.


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