sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Sua retrospectiva pessoal




Fazer retrospectivas de tudo o que aconteceu durante o ano já virou clichê. Mas fazer uma retrospectiva do seu ano, sobre as suas falhas, suas conquistas, sobre todas as coisas consideradas boas ou ruins em sua vida é essencial, é até uma forma de progredir.

Uma reflexão diária sobre nós mesmos ajuda a enxergar pontos que quase sempre deixamos passar e não percebemos, tracei metas o ano inteiro, de 100, eu levei a sério 10. Isso porque pensar e dizer para si mesmo “eu quero isso”, “a partir de agora serei/ farei desse jeito”, “não vou mais fazer tal coisa”, e centenas de outras que não é novidade para ninguém.

As pessoas tem essa mesma mania de ver que algo não está bom, repensar o assunto e querer a mudança, mas na hora de agir, nada acontece. É, falta de atitude faz parte da gente.

Só que ter atitude não requer publicações em redes sociais ou sair contando pra todo mundo, “eu fiz isso, eu fiz aquilo”. As minhas guardo comigo e os resultados são só meus. Outra coisa que deveria ficar oculta são todas as promessas que fazemos para o próximo ano, de verdade, você realizou metade das promessas que fez no final de 2011 e início de 2012?




Meu 2012...

Foi de muitas conquistas, falhas e acertos. Muitas coisas inesperadas e principalmente aprendizados. Conheci pessoas, aprendi a gostar da maioria, emprego novo, novas responsabilidades, alegrias e tristezas.

Tive perdas, mas que fortaleceram minha fé em Deus. Me amei e me auto sabotei. Conheci novos sentimentos e descobri que sou muito boa em algumas coisas, mas péssima em outras.

Eu só quero muito mais, mas adoro tudo que sou.

E hoje, amanhã, depois e sempre quero recomeços. Exato, todos os dias são bons para recomeçar.

Boa retrospectiva para você!


Posted on sexta-feira, dezembro 21, 2012 | Categories:

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A poesia alimenta a alma


Livro: O Zen e a arte da escrita. Por Ray Bradbury - Ed. Leya 


Se você vai se alimentar do seu subconsciente, como preparar o menu? Bem, devemos começar o nosso cardápio assim:

Leia poesia todos os dias da sua vida. Poesia é bom porque exercita músculos que não são utilizados sempre. Poesia expande os sentidos e os mantém em forma. Ela mantém você consciente de seu nariz, olho, ouvido, língua, mão. E acima de tudo, a poesia é uma metáfora compacta ou um sorriso. Essas metáforas, como flores de papel japonesas, podem se expandir em formas gigantes. As ideias estão em todo lugar nos livros de poesia, embora muito raramente os professores de conto as recomendem para estimular a escrita.

Posted on terça-feira, novembro 27, 2012 | Categories:

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Edith Piaf

Livro: Piaf uma vida, por Carolyn Burke. Editora leya

19 de Dezembro de 1915, nasce em belleville, município de Paris a dona de uma voz inigualável, Édith Giovanna Gassion, mais conhecida apenas como Édith Piaf. Ilustre e talentosa cantora Francesa, voz marcante e comovente que levava públicos às alturas.

Piaf, recebeu esse nome em francês que representa um tipo de pardal, foi um apelido que ela ganhou aos vinte anos de idade, por causa de sua voz tocante e seu jeito ágil e desajeitado.

Piaf teve uma infância difícil, sua mãe cantora de um café, o pai era acrobata de rua, ambos abandonaram a menina, que viveu por curto período com sua avó materna, que deixava a desejar nos cuidados com Édith, após 18 meses, o pai a buscou, passou um tempo com ela, quando descobriu que ela era dona de uma voz magnifica, surpreendido, passou a levá-la com ele nas ruas afim de ganhar uns trocados, usando suas habilidades de acrobata e em seguida a voz de Édith. Mas não demorou muito, ele se alistou para a armada francesa em 1916, para lutar na Primeira guerra mundial, e a levou para sua vó paterna, que trabalhava em um bordel, lá Édith ficou aos cuidados de prostitutas.

Muitos problemas começaram a acontecer na vida de Édith, dos 7 aos 8 anos de idade, teve uma queratite e ficou como cega, após alguns cuidados, ficou curada, acreditava que foi pelo dia em que as prostitutas a levou para orar no túmulo de Santa Teresa de Lisieux, desde então a menina virou devota de Santa Terezinha.

O pai de Edith voltou a procurá-la e levou-a para junto dele e de um circo, mas não ficou por muito tempo, durante sua adolescência cantava nas ruas com uma amiga. E foi assim que foi descoberta, cantando nas ruas de Pigalle, por Leplée, o dono de um cabaré em paris. E foi ele que iniciou a carreira de Édith, por quem ela teve admiração e respeito.

O livro conta toda sua história, suas grandes emoções, paixões e amores. Uma vida com alegrias e tristezas, que toca até hoje corações com sua voz magnifica.

"Minhas canções são a minha vida. Eu não quero ser mais do que uma lembrança." - Edith Piaf

Edith Piaf

"Ela era viva, insinuante, tão engraçada quanto cruel, apaixonadamente devotada à sua profissão, ambiciosa, sabia vender seu produto, era leal quando amava (...) uma dessas pessoas que fazem você se sentir como Deus, como se você fosse insubstituível." (página 153)

Para quem preferir ver resumidamente a história da cantora, tem a opção de ver o filme: Piaf um hino do amor.





Ouça e sinta:



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Entrevista com profissional de moda - Modelo

Uma breve entrevista com a modelo curitibana Paula de Almeida Demori, modelo internacional e segue com planos em cursar graduação de Rádio e TV. Mas não vai parar de fazer trabalhos como modelo. A modelo conta um pouco sobre o que é atuar como modelo e fala sobre o mercado de trabalho na área.

Paula me concedeu uma breve entrevista em Fevereiro de 2012. (Aqui no blog postei a entrevista completa sem alterações). [Matéria publicada no site do EnModa Escola de Empreendedores]

Paula de Almeida Demori


Joyce Barreto: Defina o que é ser modelo para você.
Paula Demori: É ser uma atriz que interpreta e muda. Eu gosto de pensar assim, porque para todas as fotos que fiz, eu interpretei personagens diferentes, e é isso que dá vida ao meu trabalho. Infelizmente muitos agem e tratam a modelo como um cabide.


J.B: Como é a sua rotina?
P.D: Eu posso dizer que o cotidiano de um modelo não há rotinas. É efêmero como a moda, um dia ela está em casa, dia seguinte ela está no Japão. Funciona assim: A agência tem o trabalho de agendar com clientes apontamentos e testes para a modelo, quando ela não está fotografando ou desfilando, ela está fazendo testes para possíveis trabalhos no futuro.


J.B: Cite pontos positivos e negativos da sua profissão.
P.D: Bom, como em qualquer carreira existe esse equilíbrio. Para mim, os pontos positivos sempre foram às viagens, que me ensinaram muito, conhecer pessoas e culturas diferentes são sempre ótimas experiências. A modelo também aprende outras línguas e vivenciar coisas inesperadas. A parte ruim é a ditadura da magreza  e da beleza na maioria dos mercados. E não posso negar que outro ponto negativo é a futilidade que nos cerca. Essa é a minha opinião estritamente pessoal. Muitas adoram o que eu não suporto, não é?


J.B: Sim, e sabemos que é um mundo fantasioso. Como é na verdade, o mercado de trabalho para este profissional. Os iniciantes encontram dificuldades?

P.D: É muito difícil, e as pessoas nem imaginam o quanto. O “new face”, assim denominado o modelo iniciante, sofre bastante no início para se adaptar ao mundo fashion. Até porque normalmente as meninas começam muito cedo, com cerca de 14 anos, por exemplo. E já tem que lidar com a ditadura da beleza e lidar com clientes te avaliando e te excluindo. Até dar certo, o iniciante recebe muitos "nãos", o que torna mais difícil, porque a maioria não consegue lidar com a pressão da rejeição e acabam desistindo.



J.B: Para ser um bom profissional, quais as características fundamentais para seguir esta carreira?
P.D: Costumo dividir em duas partes: Primeiro o fator estético padrão, que consistem em exigir que toda modelo deve ter mais de 1,70 de altura, ser magra e ter uma pele bem cuidada, ou no mínimo, fácil de cuidar. Mas esse ainda não é o fator mais importante. Porque para dar certo na profissão, é fundamental que o profissional goste muito do que faz, tem que ter punho forte, porque são muitos os desafios, personalidade forte é um pré-requisito. 


J.B: Quais as exigências que o mercado tem com este profissional?

P.D: O meu ponto de vista é bem crítico nesse ponto, a aparência sabemos que é o principal. Por isso se torna uma profissão dos sonhos. A moda trabalha com ícones da beleza ou as imagens da perfeição, ou pelo menos, tentam mostrar isso para seu público. São as mulheres lindas, com as medidas perfeitas padrão. Sabe, aquela coisa que todo mundo já ouviu e deseja: 90 cm de quadril, 60 cm de cintura, mas é necessário entender que existem limites. Uma modelo mesmo quando muito nova, ganha uma postura de adulta, quando menos esperar pode morar em outro país, são outros costumes e sozinha. Acredito que pecam no sentido de preparar a modelo para a realidade do mercado, nem tudo é um conto de fadas como muitos imaginam, é preciso amadurecer muito profissionalmente.


J.B: Isso aconteceu com você?
P.D: Sim, viajei com 14 anos de idade para Hong kong, e sofri um pouco com as mudanças. Demora para se adaptar, mas depois é fácil e da para tirar de letra.


J.B: E como é seguir a carreira no exterior?
P.D: Eu tenho experiência, sempre modelei fora do Brasil. Por muitas vezes na Ásia. Foram momentos marcantes na minha vida. Alguns muito bons e outro muito ruins. Na minha opinião, a modelo de verdade só conhece a experiência de modelar mesmo, quando trabalha no exterior, porque é mais que sofrer as pressões da carreira, mas aprende a lidar com a saudade e a carência, que com certeza é a parte mais difícil. Em polos da moda como Tokyo, New York, Paris, Milão a modelo não para um minuto por dia. Ela tem 10 testes por dia. Se estiver em um bom momento, ela trabalha diariamente. É ótimo para o crescimento da carreira. E ela volta para o Brasil com o nome lá em cima. Respeitada pelos clientes, que é muito importante.


J.B: Qual o caminho para dar certo na profissão?
P.D: Ser modelo exige disciplina, às vezes a mesma de um atleta. O corpo é prioridade, é necessário dedicar muito tempo e muitos cuidados a ele. Festas com amigos, bebidas, drogas etc. nem pensar. Aliás, isso é o que nos é taxado o tempo todo, em tempo integral, mas nem todos seguem piamente as regras. mas a pessoa que quer mesmo seguir com essa carreira deve ser persistente. Como eu disse, a palavra "não", é muito presente em nossas vidas, e não podemos nos deixar abater por ela, é preciso persistir até receber um sim, depois de centenas de "nãos".


Conheça um pouco do trabalho de Paula:























sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Empadaria da vovó

Foto: Empadaria da Vovó


Os fãs de empadas vão adorar a dica.

A Empadaria da Vovó, com duas lojas localizadas em São Paulo, ficou famosa pelas generosas e bem saborosas empadas. São 27 sabores, sendo 19 salgadas e oito doces. Conta também com a empada de 100g.


Foto: Empadaria da Vovó


Na Empadaria, além das empadas, você pode saborear sopas cobertas com massa de empadas e muito mais.

A dica é ótima para saborear um cafezinho com uma dessas delícias. Vale a pena conhecer!

É possível também pedir delivery.

Lojas:
Av. Dr. Vieira de Carvalho, 154
(Entre a Praça da República e Largo do Arouche)
Telefone: (11) 3337 1938

Alameda Santos, 1200
(Entre a Rua Pamplona e Al. Campinas)
Telefone: (11) 3541 3994


segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dois corações, duas almas



E é assim que deve ser,
dois corações andando juntos na mesma sintonia.
Duas vozes que juntas formam louvores,
E de um louvor, três simples palavras quando unidas na mesma frase,
Acariciam os ouvidos,
E que essas palavras se formem sempre que
Os olhos se cruzarem e os lábios não mais aguentarem,
O coração e a mente pela primeira vez se juntam e empurram um intenso suspiro,
Levando finalmente, “Eu te amo”, aos ouvidos dos dois apaixonados.

E que hajam discordâncias,
Lágrimas,
Tristezas que despertam corações.
Mas que reine a maturidade,
E ensine que a avalanche serviu para renovar.
Que as dúvidas e receios tropecem nas certezas, nas experiências e coerências,
E forme uma explosão de desejos.
Que tire os sentidos e acabe em dois corpos unidos em um único abraço,
Onde mais uma vez os olhos se cruzam
Os lábios se aproximam,
e num simples estalo,
um beijo aconchega os dois corações apaixonados.

...

E como dizia o poeta...

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinícius de Moraes)

...

E que todas essas palavras unidas se repitam por anos, anos e mais anos.
Sem fim...
Em que o eterno seja até os dois corações em carne se cansarem,
E descansarem para sempre, levando as almas a viajarem de mãos dadas ao desconhecido,
E se amem na presença do eterno Deus.


(Joyce Barreto Chicon)


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Observações


Por Nathalie Quintane | França
Do livro Inimigo Rumor



Quer venha pela frente, quer venha por trás, quando o vento sopra forte, eu me inclino para a frente.
Quando caminho, há sempre um de meus pés que desaparece atrás de mim.
Conforme a parte do corpo que eu coce, produzo um som diferente.
Quando deslizo uma das mãos para baixo do travesseiro, antes de nele repousar minha cabeça, obtenho uma camada suplementar.
Com a mão direita ou com a esquerda, passando por trás do meus ombros, consigo atingir todos os pontos da superfície de minhas costas.
No verão, após permanecer sentada na varanda, muitas vezes constato, impresso na parte posterior de minhas coxas, o desenho da cadeira.
Quanto mais a poltrona em que me sento for baixa e acolchoada, mais os meus joelhos ficarão próximos de meu rosto.
Quando os caracteres impressos são muito pequenos, e as linhas muito cerradas, acompanho com o dedo as frases que leio em um livro.
Ainda que meu quarto seja um ambiente absolutamente escuro, fecho os olhos para dormir.
Quando subo as mangas do meu pulôver, a dobra do cotovelo as impede de deslizar.
Mesmo quando olho “atrás de mim”, continuo a ver o que há diante dos meus olhos.
No momento em que mergulho meus pés na água fria, vejo mais nitidamente o que me cerca, e meus pensamentos tornam-se mais claros.
Quando bebo, meu lábio inferior permanece seco.
Parada sob o sol, graças à posição de meu ombro, posso, de maneira aproximada, saber que horas são.
Ao beber um gole de água, atiro rapidamente minha cabeça para trás na hora de engolir um comprimido.
Observando uma pessoa sentada, no escuro, frente à tela de um computador ligado, noto que seu rosto fica azul.
Quando assopro as velas de um bolo de aniversário, gosto antes de encher as bochechas de ar.
No verão, descubro às vezes uma formiga, ou uma mosca, passeando sobre minhas roupas.
Quando mordo uma fatia de melão, ela dissimula minha boca.
Se esfrego os olhos em pleno dia, a seguir pode-se acreditar que acabei de acordar.
Depois de tomar um banho, posso escrever meu nome sobre o espelho do banheiro.
Com um simples movimento de língua, desalojo um pedaço de amendoim preso entre dois dentes.
Quanto menos é o objeto que seguro – um prego, por exemplo – mais meu polegar e meu indicador ficam próximos um do outro.
Do lado esquerdo do indicador da minha mão direita, próximo à unha, há uma mínima protuberância, dura, seguida de um pequeno vão: é ali que posiciono a caneta quando escrevo.
Quando me ensabôo, as partes pilosas de meu corpo produzem espuma em abundância.
Quando cruzo as pernas embaixo da mesa, às vezes bato com o joelho.
Avançando o lábio inferior e soprando forte, ergo a franja de cabelos que cobre minha testa.
Fechando meu olho esquerdo (ou direito), e envesgando o outro, consigo ver meu nariz.
Erguendo o pescoço diante de um espelho e abaixando os olhos, consigo ver debaixo do meu queixo.
Quando como ao ar livre, ao vento, uma mecha de cabelos entra, às vezes, em minha boca aberta.
Com uma pilha de livros nos braços, subo uma escada sem olhar os degraus.
Posso produzir um barulho notável se continuo a sugar com o canudinho o líquido que resta no fundo de um copo.
Quando a maçaneta da porta fica à minha esquerda, eu puxo a porta; quando fica à direita, eu empurro a porta.
Olhando pelo buraco da fechadura, eu vejo sem ser visto, a não ser que haja alguém atrás de mim.
Percebo melhor a direção em que seguem as nuvens se paro de andar.
Quando uma garrafa está virada verticalmente sobre meus lábios, é que estou bebendo suas últimas gotas.
Mesmo se lançar uma maçã bem longe, ela acabará por cair.
Quando como um pão com manteiga, mordo-o e, depois, rasgo-o, em geral, da esquerda para a direita.
Quando como uma torrada muito crocante, não ouço tão bem o rádio.
Um pouco antes de adormecer completamente, tenho às vezes a sensação de descer, de uma só vez, três andares de elevador.
Há uma temperatura abaixo da qual não posso falar sem, ao mesmo tempo, produzir uma nuvem de vapor.
Durante um beijo, minhas papilas gustativas também entram em ação.
Tradução Carlito Azevedo

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Momentos


Por Joyce Barreto Chicon
Por Joyce Barreto Chicon

Eu podia optar em estar em qualquer lugar, ou fazer qualquer coisa.
Mas prefiro estar com você, fazer tudo e nada com você.
É como dar mais sentido a vida, com pequenos detalhes.

Momentos simples, me despertam a criatividade
E me inspiram, faço coisas que nunca imaginei,
Por um lado tudo parece loucura,
Pelo outro é a melhor coisa que já vivi.

Uma noite com a lua bonita,
O vento soprando e tocando o rosto,
O céu nunca foi tão imenso
As estrelas nunca brilharam tanto.

Quando na verdade, se olho lá fora,
Chove e faz um tempo cinza,
Não há estrelas e a lua está escondida por
Nuvens negras.

Mas enquanto você habitar em meu ser,
Continuo vivendo um sonho,
E desenhando com palavras
O amor que sinto por você!


Posted on quinta-feira, agosto 30, 2012 | Categories:

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Querem acabar com o português

*(da revista TPM, edição de agosto 2012 - Edição e reportagem por Nina Lemos)


Trends in english! 


Sabe quais são as tendências da temporada? As candy colors, as saias mullet, as calças flare e o monoprint, o famoso conjuntinho da vovó. TPM faz um apelo: vamos voltar a falar português?

O mundo da moda adora inglês. Eles acham chique, Como diz uma amiga: "Será que as pessoas acham que ficam mais inteligentes em inglês?". Só que o mundo perdeu a noção. Nos "shoppings", as "sales" agora são "up to 50%". VERDADE! As lojas deixaram de escrever "até" e trocaram pelo "up to"! E as tendências são todas... escritas em inglês. Confira a seguir!

1. Sneakers



Procure a tradução de sneacker em um dicionário de inglês. Você vai encontrar: "Sneaker: tênis, sapato esportivo". Sim, sneaker é tênis em inglês. Simples, não? 
Nada disso, porque o mundo das tendências é muito complicado. E o sneaker, coitado deixou de ser tênis (pelo menos no Brasil).

Problema: As pessoas esqueceram que sneaker significa o mesmo que tênis. Resultado: dando um Google, você vai encontrar centenas de ofertas de tênis sneaker. Gente, como assim? Escrever tênis Sneaker é o mesmo que escrever: tênis tênis. O tal "sneaker" é apenas um modelo de tênis. Ou seja, o sneaker é um tipo de sneaker. Deu para entender?


2. Saia mullet



Uma tendência tão falada quanto os Sneakers. Trata-se de saias ou vestidos mais curtos na frente e mais longos atrás. Se você falou assimétrica, acertou . Mullet é aquele cabelo curto na frente e comprido atrás. Por isso, achamos que no Brasil essa saia poderia ser chamada de Chitãozinho e Xororó.


3. Candy colors



Candy é bala. Talvez um dia as crianças brasileiras se esqueçam disso e falem: mãe, quero candy! A gente espera de verdade que esse dia não chegue. Candy color nada mais é do que tom bebê. Sabe rosa bebê? Azul bebê? Amarelo bebê? Bem, essas cores agora chamam candy color. E dizem que é tendência.

4. Monoprint: o bom e velho conjuntinho!



 Sabe aquele conjuntinho de duas peças que a sua avó usa para ir para a igreja? bem, ele existe desde que a gente se lembra do mundo. Mas agora ele é tendência (avise a sua avó) e tem outro nome: "monoprint". Sim, dá vontade de ter um ataque de riso. E print, para quem não sabe, é estampa. Uma palavra que está à beira da extinção. Agora é ethnic print, animal print. Nome  certo: ESTAMPA. E parem de hypar nosso conjuntinho. Deixem as nossas tradições afetivas de roupa em paz!

5. Calça flare



Já que estamos lembrando das nossas avós... Elas reclamariam se fôssemos visitá-las com uma calça larga com a barra meio que esbarrando no chão. "Que calça larga, menina." Aí você vira para a sua avó e fala: "Não é larga, vovó, é flare!" Sim, essa é uma calça suuupertendência  entre as meninas que seguem todas as tendências (também conhecidas como vítimas da moda) e agora chama flare, que significa... largo.


Posted on terça-feira, agosto 14, 2012 | Categories: ,

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Pensamentos meus




Às vezes o inesperado é bom,
e ser surpreendido de forma positiva, é melhor!

Fazer coisas diferentes e sair da rotina é importante,
se desprender das coisas e se desapegar das pessoas é necessário.

Querer que as coisas deem certo faz parte,
e ter sonhos e tentar realizá-los é raro.

Dar atenção e pensar nos outros pode ser mais fácil,
e pensar em si mesmo sem ser egoísta é sempre mais difícil.

Viver de emoções é ilusão, é fazer da vida uma peça de teatro sem fim,
ser racional e agir pela razão é realidade, encostar os pés no chão pode ser assustador.

Joyce Barreto Chicon
Posted on sexta-feira, agosto 10, 2012 | Categories:

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Chorar faz homem brochar, será?


O assunto virou estudo, mas será que mulheres emotivas demais cortam o tesão de seus parceiros? Eles dão opinião deles.




Segundo um estudo desenvolvido pelo cientista Shani Gelstein no Instituto Weizmann de Ciências em Israel publicado na revista Science, as lágrimas de uma mulher podem influenciar no comportamento sexual do homem. Pois liberam substâncias que diminuem o nível de testosterona e a excitação dos homens. Um grupo de homens que se submeteram a alguns testes que comprovou a pesquisa. E é verdade que algumas mulheres se deixam levar mais pela emoção e menos pela razão. Ato que na relação não é algo positivo, pois mostra o lado frágil da mulher, passando a impressão de que ela não sabe lidar com seus momentos de crise e desconta em choro.


Segundo o psicólogo Alexandre Bez, se algo está errado com ela, e principalmente se algo não está indo bem na relação, é importante que o parceiro esteja ciente, e então mantenham diálogos, para que não o surpreenda. “Em algumas situações os homens se sentem impotentes, sem saber como agir diante de uma mulher chorona”, afirma Bez.




Veja o que marmanjos entre 23 a 40 anos dizem sobre suas reações diante da mulherada excessivamente emotiva, principalmente na hora H.

Como eles pensam?

“Broxar? Às vezes acontece, até porque se a parceira começa a chorar eu ficaria preocupado em saber o motivo, seria impossível continuar a relação, não teria cabeça para terminar o ato sexual. A menos que ela goste de chorar como uma fantasia, aí é outra história. Mas se o problema é porque brigamos antes, eu tentaria confortá-la e faria sexo com ela, seria até mais gostoso por causa da reconciliação”
Leandro, 25 anos

“Eu realmente não me sinto confortável se a minha namorada começasse a chorar na hora H. Com certeza eu ficaria incomodado e não conseguiria continuar, iria querer saber o porque e não teria mais vontade de fazer enquanto ela estivesse desanimada”
Carlos Ribeiro, 32 anos

“Acho que nem ela conseguiria continuar, porque se estiver chorando deve ter um motivo e acaba impedindo o clima. Creio que eu broxaria!” 
Caio Mendes, 27 anos

“Acho que não, eu ia tentar reanimá-la, conversar com ela fazendo carinho, a menos que fosse algo muito sério, aí teria que respeitar o momento dela.”
João Victor, 29 anos

“Chorar na hora H é muito broxante, não tem condições de continuar. Não sei o que eu faria se acontecesse!”
Iuri Carlo, 23 anos

“Me preocuparia, pois gosto que minha parceira se sinta bem, e tenha os melhores momentos comigo. Eu iria querer saber o motivo do choro e tentaria fazer algo para que ela ficasse bem. Não seria um problema, eu daria atenção. Acho muito egoísmo continuar sem se importar”
Victor Teixeira, 23

“Eu perderia o tesão, é claro. Mas me preocuparia, iria querer saber o motivo, mas se é atoa, porque é emotiva demais eu ficaria estressado. Porque para chorar tem que ter um bom motivo”
Adriano Damiano, 26 anos

“Broxaria! Na minha opinião, não tem nada pior do que mulher chorona. Se a mulher ta mal então nem deixe começar a rolar um clima”
Fabiano Heitor Castro, 35 anos

“Eu ia ficar desesperado, porque ela choraria? Se ela estivesse mal, eu nem ia querer mais fazer amor, faria de tudo para tentar ajudar, se fosse algo muito pessoal que eu não pudesse ajudar, tentaria ao menos dar conforto. Com certeza seria um momento em que ela precisaria de atenção e conforto.”
Diego Gasparinni, 26 anos

“Acho que qualquer homem perderia a vontade de continuar o ato, mas também se preocuparia, afinal faz parte dos homens serem protetores. Faria o que tivesse ao meu alcance para ajudar. Sexo é bom, mas pode ser feito a qualquer momento, o importante é manter o bem estar da relação, principalmente quando amamos nossas mulheres”
Eduardo Santos, 40 anos

”Eu ficaria sem entender, porque uma mulher começaria a transar e de repente chorar? Se ela não está bem, não pode deixar o ato começar. É claro que eu me sentiria incomodado e se soubesse que é frescura então, ficaria irritado. Mulher emotiva demais é cansativo e desgasta a relação.”
Robson Paiva, 28 anos

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Conquiste bons lucros

Tem fechado o mês sempre no vermelho? Então dê um adeus às dívidas e saia do aperto usando as horas vagas para fazer dinheiro


Para você conseguir pagar todas as contas, fazer a despesa da casa e ainda ver um dinheiro sobrando na sua conta no final do mês é um sonho? Mas é possível engordar seu orçamento com algumas atividades extras e dar adeus ao pesadelo da falta de grana. E melhor: sem comprometer seu trabalho com, carteira assinada. Aproveite o tempo livre para colocar suas habilidades em prática e ganhar um bom dinheiro com isso. Culinária, decoração, artesanato, ou qualquer atividade que você tenha um bom conhecimento, veja o que mais tem a ver com você e sua disponibilidade para executar o serviço, arregace as mangas e mãos à obra.


Decore e fature
Gaste: R$ 80,00 (festa para 50 pessoas)
Cobre: R$ 200,00

Use e abuse de sua criatividade. Invista num curso e deixe que os clientes venham até você. Caso a falta de tempo ou grana atrapalhe, nas bancas há muito material para aprender e treinar em casa. Comece com festas simples até pegar o jeito e partir para um negócio maior, como um casamento. Puxe, empurre, afaste o sofá, tire o quadro do lugar, invista em novas cortinas para dar contraste com o branco da parede e pronto. Transforme os ambientes, levando dicas que vão valorizar a casa de seus clientes. Com um toque e muito zelo, deixe os cômodos mais bonitos e aconchegantes e fature!



Dotes Culinários

Dotes culinários
Salgadinho (cento)
Gaste: R$ 13,00
Venda por: R$ 30,00

Bolo de festa (quilo)
Gaste: R$ 15,00
Venda por: R$ 35,00

Se você é daquelas que adora treinar seus dotes culinários e sabe preparar delícias que todo mundo adora, use todo seu conhecimento para ganhar dinheiro. Faça docinhos e salgados para festas, com um cronograma que defina os valores por encomendas. Se a produção der certo (e vai dar, com certeza), arrisque em outras guloseimas: bolos, tortas, lanchinhos... Mas como todo trabalho, é preciso divulgação, para isso, não tem mais promissor que o famoso boca a boca. Se tiver acesso à internet, divulgue seu trabalho através de blogs e sites. Coloque uma placa no seu portão com seus contatos e conte com a colaboração de amigos comerciantes para fazer seu marketing.

Sucesso com revenda

Custo é zero
Lucro: de 20% a 30% sobre sua venda

Antes de abraçar a ideia de iniciar revendas por catálogos, pesquise e tenha em mente que nem sempre o lucro será alto. Converse com revendedoras veteranas para ter uma base dos lucros. Para iniciar, trace um diferencial para acelerar suas vendas. Aos poucos adquira os produtos que percebe que tem muita procura por um preço melhor. Monte kits para facilitar a entrega dos pedidos. Em datas comemorativas, se tiver pronta entrega, garantirá os presentes de última hora aos seus clientes e lucro certo no seu bolso.




Artesanato
Gaste R$ 15,00
Venda por: R$ 30,00

Há diversas modalidades: bijuterias, decoupagem, reciclagem... Pinte e borde essa ideia e se dê bem. Para se tornar uma artesã de sucesso, invista em cursos. Tem muita aula gratuita. Visite feiras para enriquecer sua produção. O macramê, por exemplo, para decorar chinelos é uma alternativa perfeita para incrementar suas vendas. Veja nossa dica!

MATERIAL
1 par de chinelos
Agulha
2 travessões
Tesoura
Cola instantânea
10m de cordão encerado
Fio de náilon 0,30mm
22 entremeios de metal
56 contas de 6mm
Alicate de ponta fina.












FAÇA E VENDA

1- Corte 2,5m de cordão encerado e passe-o por baixo do fim da tira do chinelo. Junte as pontas para encontrar o meio.

2- Dê um nó e pingue uma gota de cola instantânea para o cordão não sair do lugar.

3- Insira em uma das pontas do fio 5 contas e 4 entremeios intercalados. Como o fio é comprido, enrole uma parte para facilitar o trabalho.

4- Passe a outra ponta por baixo da tira, saindo por cima do fio de contas. Em seguida, passe o fio de contas por dentro da laçada. Repita esse passo mais 3 vezes. 

5- Ao passar o fio das contas por dentro da laçada, posicione 3 pedras por cima da tira. Para fixar estas pedras, faça um ponto completo.

6- No próximo ponto acomode as três pedras na tira do chinelo. Faça mais 1 ponto para segurar e continue com mais 3 pedras. Na sequência faça mais 3 pontos, sem as miçangas.

7- Passe as 2 pontas pelo travessão com o alicate. Puxe a linha para acomodar a peça na tira do chinelo e dê 2 pontos de macramé para fixar.

8- Insira 9 contas pretas pelo fio e dê o primeiro ponto, acomodando 3 bolinhas na tira. Dê um ponto para segurar. Continue até prender as 9 contas, intercalando com o ponto.

9- Colocada todas as contas, faça mais 3 pontos até chegar no vértice da tira. Use mais 2m5 na outra tira e repita as sequências. No lugar do travessão faça 11 pontos de macramé. 

10- Nos fios de cima, coloque 3 entremeios. Em seguida, acomode os entremeios no vértice do chinelo. Prenda-o com o ponto torcido. Para arrematar, faça o meio ponto com cada lado do cordão. Passe a cola pelo verso dos pontos e corte os excessos com a tesoura.

Fonte
Mãos à Arte Chinelos, Pedrarias e Macramê (edição 47)
Editora Escala: www.escala.com.br
Execução: Angela de Luca e Miriam Pavani



O avesso da Pátria na 10ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty – FLIP

Na 10ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP, uma das palavras que vi foi "O avesso da pátria" com Dany Laferrière e Zoé Valdez. Dedico este post com uma matéria publicada no Estadão no dia 06/07/2012. Sobre Dany Laferrière falando sobre sua aversão ao  nacionalismo. Espero que gostem

Dany Laferrière na 10ª edição da FLIP
Foto por Joyce Barreto Chicon

Dany Laferrière fala sobre sua aversão ao nacionalismo e lança livro na Flip

O haitiano participa da mesa 'O Avesso da Pátria' em Paraty e lança o livro 'Como Fazer Amor com Um Negro Sem se Cansar'

Com 27 anos de atraso, o livro Como Fazer Amor com Um Negro Sem se Cansar, do haitiano Dany Laferrière, chega ao Brasil no momento em que seu autor participa da 10.ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Laferrière concedeu entrevista ao Sabático lembrando que, ao escrever o livro, não tinha só em mente autores ligados à geração beat, sejam eles os protagonistas ou coadjuvantes do movimento literário liderado por Jack Kerouac, cujo mais famoso título, On The Road, foi filmado pelo cineasta brasileiro Walter Salles. A retomada dos ideais da beat generation mais de meio século após sua eclosão pode ser entendida como uma resposta à padronização cultural ditada pela nova ordem do mundo globalizado, que trocou a liberdade pela segurança. Laferrière é o oposto dessa cultura: ainda jovem, lutou contra a ditadura de Jean-Claude Duvalier, mais conhecido como Baby Doc. O pai já vivia no exílio e o filho não teve escolha além de seguir seus passos, em 1976, quando um amigo jornalista, Gaston Raymond, foi assassinado pelos Tontons Macoute, grupo paramilitar mantido pelo regime de Duvalier.

Morando em Montreal, Laferrière veio a Flip para conversar, neste sábado, 7, às 17h15, com a escritora cubana Zoe Valdés justamente sobre o que significa ser nacionalista (palavra que odeia) num mundo que se pretende sem fronteiras. Na terça-feira, dia 10, já encerrada a Flip, ele discute um tema ainda mais interessante, A Literatura e a Reinvenção do Eu, às 20 h, no Teatro Eva Herz (Livraria Cultura da Avenida Paulista).

Reinventar o eu é com ele mesmo. Após deixar o Haiti, Laferrière trabalhou como faxineiro de aeroporto e em uma fábrica de tapetes, onde vivia cortando as mãos e os braços, até que os colegas o ajudaram a arrumar um lugar melhor e seguro para que pudesse escrever seu primeiro romance. Foi assim que surgiu Como Fazer Amor com Um Negro Sem se Cansar. Transformado por Jacques Benoit no polêmico filme (homônimo) que provocou certo barulho em seu lançamento americano, o livro, apesar de ter como principal personagem um aspirante a escritor, não é autobiográfico. No entanto, muitas das opiniões sobre relações inter-raciais do protagonista são divididas pelo autor. No livro, o escritor fictício divide com seu amigo preguiçoso um minúsculo apartamento em Montreal. Velho é como o chama seu amigo Buba, que passa os dias dormindo, lendo o Corão ou ouvindo jazz. O objeto mais precioso de sua propriedade é uma máquina de escrever Remington, que ele comprou de segunda mão e julga ter pertencido a um ícone da literatura negra (teria sido Chester Himes?).

O livro é repleto de citações a autores que Laferrière ama: além de Himes, Baldwin, Henry Miller, Bukowski. A lista dos favoritos é imensa e inclui Mishima, Joyce Carol Oates, William Styron e, claro, Salinger. Qual máquina de escrever usada ele compraria? Provavelmente aquela que pertenceu a Bukowski. "Ele e Borges são meus autores preferidos."

Jornalista no Haiti, Leferrière escrevia para um suplemento cultural quando teve de deixar seu país, na Olimpíada de 1976. Fixando-se inicialmente nos EUA, onde nasceu a primeira das suas três filhas, ele tentou sobreviver lá por 12 anos como escritor, mas acabou voltando ao Canadá em 2002.

Apesar de ter escrito seu primeiro livro sobre as aventuras sexuais de um negro com loiras de apelidos engraçados, Laferrière garante que jamais se sentiu parte de uma minoria. Nem gosta que alguém o chame de escritor haitiano. "Sou escritor e sou haitiano, mas isso não significa que tenha de defender uma causa." No Canadá, diz, a cor da pele não importa muito, embora seu narrador discorde dele. No começo dos anos 1980, época da ação de Como Fazer Amor..., o narrador diz que a "grande era negra" já passou. Ao negro, conclui, só resta se reinventar, "ejacular petróleo". Se você quer um resumo da guerra nuclear, continua o protagonista, "ponha um negro e uma branca na mesma cama". O ódio no ato sexual "é mais eficaz do que o amor".



Laferrière lutou contra a ditadura de Jean-Claude Duvalier em seu país e é oposto aos "beats"
Por Estadão de São Paulo

É certo que, por aquela época, Laferrière já havia lido James Baldwin, o que pode ser atestado por algumas das ideias expressas no romance inaugural do haitiano, que traz ecos de Da Próxima Vez, o Fogo, manifesto de afirmação racial escrito em 1963 pelo autor de Giovanni (livro gay de amores inter-raciais). "Baldwin é preciso, assertivo, mas também lírico", diz Laferrière, definindo o americano como um produto de sua época e "um tanto obcecado por essa questão de raça". Hoje, conclui, "o mundo não é tão regulado por conflitos raciais". Não que eles inexistam. "Só que essa não é a preocupação central do século 21".

Já o recrudescimento de movimentos nacionalistas preocupa Laferrière. "A vida não é uma questão de nacionalismo, mas de respeito ao próximo." Foi isso que motivou o escritor a produzir L’Odeur du Café, registro autobiográfico proustiano em que a madeleine de Laferrière é o café preparado pela avó do escritor. Esse récit d’enfance traz lembranças descontínuas e incertas que são ao mesmo tempo reveladoras da formação de um sentimento nacionalista posteriormente abjurado pelo haitiano, que diz ter nascido como escritor em Montreal. Isso não significa que ele defenda a francofonia ou a cultura canadenses. "Sou contra fronteiras e a francofonia representa mais uma, entre muitas."

Como autor migrante, Laferrière escreveu outro relato autobiográfico pouco convencional, Pays Sans Chapeau, romance em que ele cruza o rio Styx, ou seja, o rio dos mortos, para narrar como é a vida do outro lado. É uma parábola sobre a travessia que empreendeu até chegar aos EUA. Reafirma também a total ausência de nostalgia do mundo que conheceu no Haiti, exceto pelas boas lembranças da infância, como a imagem de sua avó na varanda da casa ensolarada e o cheiro do café. Quanto ao misticismo haitiano, ele não deixou marcas profundas em Laferrière. "Minha mitologia é a liberdade, e a literatura, nesse sentido, foi generosa por me oferecer uma oportunidade de viver uma outra vida além da real."

Borges, segundo Laferrière, é outro exemplo de alguém que se reinventou por meio da literatura, assim como Bukowski. "Ambos têm um estilo conciso e um gosto particular pelas metáforas." A análise do procedimento retórico do argentino em comparação com a sua literatura e a de Bukowski pode parecer chocante, mas o haitiano insiste que, como Borges, também tomou vidas emprestadas para contar sua história. "Tenho uma tia que vive me dizendo que eu não escrevo as coisas tais quais elas acontecem, mas é assim que as vejo e é isso o que importa, afinal, em literatura."

O que interessa, diz ele, é o poder subversivo da retórica. "Ao escrever Como Fazer Amor..., pensei muito em Montaigne, em como poderia mudar a proposição ‘eu te amo’ por ‘eu te desejo’, pois você pode detestar alguém, mas desejá-lo com igual intensidade." Laferrière pensava e em loiras que sentiam atração por homens negros. "Invertendo a lógica do racismo, mudando a equação da força percebi que era possível escrever uma sátira sobre as diferenças sociais e o abismo entre as classes sem fazer um discurso político." Seu lado ensaístico, adianta, só virá no livro que escreve (Notas para Um Jovem Escritor), conselhos que, aos 59 anos, resolveu dar aos aspirantes a literatos.

O Livro

Como fazer amor com um negro sem se cansar

(Tradução de Heloisa Moreira e Constança Vigneron, Editora 34, 152 páginas, 35 reais) Escrito pelo haitiano Dany Laferrière em 1985, mas inédito no Brasil, causou controvérsia na época de seu lançamento e quando foi transformado em filme dirigido por Jacques W. Benoit. Primeiro, por causa do título, mas também pela história, que fala sobre dois jovens outsiders vivendo em Montreal, no Canadá, nos anos 70. Ambos negros africanos exilados, um aspirante a escritor que vive várias aventuras amorosas, e outro que só pensa em dormir, ouvir jazz e recitar o Corão, eles viverão várias aventuras no verão de uma época de experimentações mil. O livro combina humor, erotismo, poesia e violência para dar voz a esse diálogo intenso, que tem como trama central as diferenças entre as culturas de origem dos personagens.

Fonte: RevistaVeja