segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Dois corações, duas almas



E é assim que deve ser,
dois corações andando juntos na mesma sintonia.
Duas vozes que juntas formam louvores,
E de um louvor, três simples palavras quando unidas na mesma frase,
Acariciam os ouvidos,
E que essas palavras se formem sempre que
Os olhos se cruzarem e os lábios não mais aguentarem,
O coração e a mente pela primeira vez se juntam e empurram um intenso suspiro,
Levando finalmente, “Eu te amo”, aos ouvidos dos dois apaixonados.

E que hajam discordâncias,
Lágrimas,
Tristezas que despertam corações.
Mas que reine a maturidade,
E ensine que a avalanche serviu para renovar.
Que as dúvidas e receios tropecem nas certezas, nas experiências e coerências,
E forme uma explosão de desejos.
Que tire os sentidos e acabe em dois corpos unidos em um único abraço,
Onde mais uma vez os olhos se cruzam
Os lábios se aproximam,
e num simples estalo,
um beijo aconchega os dois corações apaixonados.

...

E como dizia o poeta...

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

(Vinícius de Moraes)

...

E que todas essas palavras unidas se repitam por anos, anos e mais anos.
Sem fim...
Em que o eterno seja até os dois corações em carne se cansarem,
E descansarem para sempre, levando as almas a viajarem de mãos dadas ao desconhecido,
E se amem na presença do eterno Deus.


(Joyce Barreto Chicon)


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