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Frase pintada na parede de um clube em Osasco
Por Joyce Barreto Chicon |
A situação do lixo no país é de chocar, é comum passarmos pelas ruas e
encontrarmos muita sujeira espalhada, lixo de todos os tipos pelas calçadas e
no meio da rua dificultando o transito de carros e pessoas. Infelizmente faz
parte da realidade do nosso país.
E quando aparece na mídia, também ganha destaque pessoas inconformadas
dizendo que tudo é um absurdo, logo esses mesmos indivíduos, acham culpados e
são eles, o governo e o Estado, sempre estão em nosso julgamento. Mas me
pergunto, e nós, O QUE FAZEMOS PARA
MELHORAR A SITUAÇÃO QUE TANTO NOS INCOMODA?
Eu sim fico inconformada quando ando pelas ruas e encontro nas frentes de
casas, lixo e entulho jogado, então vejo essas pessoas andando pelas ruas e
jogando embalagens de alimentos no chão, ou quando estou dentro do carro e vejo
o indivíduo da minha frente atirar pela janela desde uma simples bituca de
cigarro, até enormes quantidades de papeis pela janela.
Confesso que atitudes assim me deixam irritada. Claro, como pode uma pessoa
não ter noção alguma do quanto aquele ato é prejudicial, me desculpem, mas isso
sim é uma enorme ignorância humana.
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Latões de lixo recicláveis em Campos do Jordão
Foto por joyce Barreto Chicon |
Outra questão é, somos seres racionais (às vezes nem tanto), mas sabemos os
problemas que o consumo exacerbado causa para nós mesmos. Muitas das embalagens
dos produtos que compramos é extremamente prejudicial ao meio ambiente, e ao
invés de dispensá-los, ou mandar para reciclagem, quando não é na rua, esgotos
e rios, esse lixo é jogado em restos orgânicos. Viram lixo acumulativo, um dos
maiores causadores das enchentes que nos últimos tempos é um fator muito
preocupante no país.
Mesmo as vítimas desse caos, quem deveriam ser as principais colaboradoras
com o meio ambiente, são aquelas que também não pensam nas consequências de
seus atos. Não generalizo, mas afirmo que através de pesquisas os locais que se
encontram de maneira mais precária sobre o lixo, são os lugares de baixa renda.
Surge uma sensação de abandono e de pouco caso, e são em situações assim que
colocamos o governo como culpado de atos que podem ser evitados pelas pessoas.
O maior problema de todos, é o comodismo da população, mesmo para as coisas
que os incomodam. Essa é uma crise que só vem crescendo, e campanhas e
discursos de conscientização deixaram de ter valor. E enquanto nós não fizermos
a nossa parte, será um problema sem solução.
Por joyce barreto Chicon
Imagens de lixo e entulho em frente barracos e casas
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Entulho abandonado por cerca de três meses em um bairro de Osasco
Foto por Joyce Barreto Chicon |
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Terreno abandonado com placa "Proibido jogar lixo ou entulho de qualquer natureza" - Prefeitura de Osasco - SP
Foto por Joyce Barreto Chicon |
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Lixo e entulho espalhados pelo mesmo terreno da foto acima
Foto por Joyce Barreto Chicon |
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Lixo abandonado pelas calçadas
Foto por Joyce Barreto Chicon |
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Calçada na cidade de Carapicuíba em frente a barracos na Avenida
Foto por Joyce Barreto Chicon |
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No dia 13/02/2009, o jornal O Estado de São Paulo, publicou uma matéria sobre a
crise na coleta de lixo em São Paulo. E o Jornalista Washington Novaes, fez um artigo sobre o assunto: “No meio dos
lixões importando lixo”.
É um assombro
ler no jornal (Estado, 13/2) que há uma crise na coleta seletiva de lixo em São
Paulo e que a maioria das cem cooperativas de catadores reduziu em dois terços
suas atividades, por causa da queda brutal nos preços dos produtos que vende.
Nem é preciso ser muito informado para deduzir que se agravará o problema da
coleta geral do lixo na cidade, que produz mais de 12 mil toneladas diárias de
resíduos domiciliares e comerciais e está com seus aterros esgotados. E o
próprio coordenador da coleta seletiva admite que pelo menos 20% do que já vai
para aterros seria reaproveitável. Desperdício que vai aumentar, já que os
catadores, no País, respondem pelo encaminhamento às empresas recicladoras de
cerca de um terço do papel e papelão, uns 20% do plástico e do vidro, mais de
90% das latas de cervejas e refrigerantes.
Tudo fica ainda
mais difícil de assimilar quando se raciocina que, com uma crise de recursos
como a que engolfa o planeta, materiais mais baratos (como os reaproveitáveis e
recicláveis) deveriam, em princípio, ser valorizados. Da mesma forma, quando se
lembra que em grande parte do mundo aterros nem podem mais existir, pela
legislação - enquanto nós continuamos a depositar em lixões a céu aberto mais
de metade das 230 mil toneladas recolhidas a cada dia (IBGE); e pouco mais de 10%
chega a aterros adequados. E ainda não é tudo. Este jornal informou também
(2/2) que a construção civil gera na cidade 17 mil toneladas de resíduos por
dia e que parte deles vai para 1,4 mil pontos irregulares, fora dos
"ecopontos". Só 1% dos resíduos é reaproveitado (90% na Holanda). E
provavelmente nada se resolverá tão cedo, já que a licitação para quatro
aterros de entulhos (124 mil toneladas/mês) está embargada pelo Tribunal de
Contas do Município, uma vez que o preço ali previsto está 34% acima do que é
pago hoje.
Não é só São
Paulo que sofre. Praticamente todas as grandes capitais brasileiras estão com
seus aterros esgotados. Coleta seletiva é exceção rara. E, no entanto, como já
se comentou aqui, a maior parte do que vai para aterros poderia ter uma
destinação mais adequada. Um estudo universitário mostrou que 91% do lixo
aterrado em Indaiatuba (SP) poderia ser reciclado ou reaproveitado. E é assim
em toda parte.
Mesmo em áreas
em que poderíamos estar tranquilos vivemos às voltas com situações dramáticas.
Agora, por exemplo, o Brasil pode sofrer retaliações da União Europeia (Estado,
26/12/2008) por não cumprir o prazo concedido pela Organização Mundial de
Comércio (OMC) para unificar a legislação que proíbe a importação de pneus
usados. O prazo terminou em novembro, mas o governo brasileiro não conseguiu
derrubar na Justiça liminares das recicladoras que lhes permitem a importação
de milhões de pneus a cada ano - com o argumento de que o País permite a
entrada de pneus do Uruguai e Paraguai, porque um Tribunal Arbitral do Mercosul
assim o exige (embora a Argentina não cumpra a "exigência"), segundo
o Itamaraty. A Europa tem altos interesses em jogo na questão, porque a cada
ano são descartadas ali dezenas de milhões de pneus usados, para os quais não
há destinação. O curioso é que temos legislação a respeito: o Conselho Nacional
do Meio Ambiente não só não permite a importação como obriga os fabricantes
locais de pneus a receber de volta um número maior do que o fabricado. E o
Ministério Público Federal é pela proibição de importar.
Mas surpresa
mesmo é tomar conhecimento (Ambiente Brasil, 11/2) de que estamos importando
lixo tecnológico da Califórnia. Segundo o Departamento de Controle de
Substâncias Tóxicas daquele Estado, em 2006 pelo menos 1.190 toneladas de lixo
eletrônico foram enviadas para o Brasil (televisores, computadores, celulares e
outros itens), contrariando, em princípio, a Convenção de Basileia, que tenta
combater o trânsito internacional de resíduos perigosos dos países industrializados
para os demais. E aqueles itens enviados têm alto teor de chumbo e mercúrio. O
Brasil recebeu naquele ano cerca de 20% do lixo eletrônico exportado pela
Califórnia, que tem legislação proibindo o despejo desses itens em aterros. Por
isso, exporta-os, integrando-se ao chamado "colonialismo da
imundície", promovido por grande parte dos países desenvolvidos,
principalmente para a África (a Nigéria é a campeã dos receptores). O Brasil
participa da Convenção de Basileia, mas o Ministério do Meio Ambiente informou
não ter conhecimento do assunto.
Melhor ficar de
olho aberto, já que agora o governo Barack Obama tem como um de seus membros em
alto posto Larry Summers, que, em seu tempo de Banco Mundial, chegou a propor
como política oficial a exportação exatamente do lixo tecnológico para países
do "Terceiro Mundo", invocando como argumento a "justiça
social"! Dizia ele que, como a produção de lixo tecnológico é pequena nos
países "em desenvolvimento", medida per capita, então seria justo que
recebessem o lixo tecnológico que os desenvolvidos geram em abundância. Recebeu
uma resposta contundente e arrasadora do então secretário nacional de Meio
Ambiente, José Lutzenberger, e não insistiu mais no assunto.
Seja pelo ângulo
que for, nosso progresso na área dos resíduos tende a demorar. Inclusive porque
continua empacado no Congresso o projeto de Política Nacional de Resíduos
Sólidos, mandado pelo Executivo. Embora seja um texto muito fraco e deficiente,
poderia pelo menos fazer avançar a discussão, por meio dos parlamentares mais
empenhados. Mas estes são poucos e enfrentam os lobbies das grandes empresas de
coleta e destinação de resíduos (fortes financiadoras de campanhas eleitorais),
além das produtoras de embalagens, que não querem ter a obrigação de recolhê-las
e dar-lhes destinação. Se não houver pressão social - e forte - não
caminharemos.