Saiu na revista Super Interessante deste mês, eu gostei e compartilho
aqui!
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Super 334, Junho 2014
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E se...
E se a tecnologia substituir o juiz de futebol?
Se a arbitragem eletrônica decidir
faltas, impedimentos e até gols, pode haver menos erros. Mas e se o sistema
cair?
por Emiliano Urbim
por Emiliano Urbim
NARRADOR - Bem,
amigos da Rede Global. Estamos agora ao vivo e em definitivo de Cartagena, na
Colômbia. Na tela, imagens do moderníssimo Estádio Nacional Gabriel García
Marquez, El Gabón, palco da final desta Copa do Mundo de 2026. Não é a final
que a gente queria, claro: o Brasil do técnico Seedorf saiu antes. Mas logo
estarão em campo as seleções de Inglaterra e Alemanha para nos brindar com um
espetáculo de futebol.
COMENTARISTA - E de tecnologia. Atendendo aos apelos de torcedores, cartolas, jogadores e imprensa, esta foi a primeira Copa com arbitragem eletrônica. Assim como em outros torneios, os juízes e bandeirinhas foram substituídos por câmeras, chips e sensores. Cada detalhe é monitorado. A falha humana foi substituída pela precisão da máquina.
NARRADOR - É tira-teima, ao vivo, amigo! E o que esperar da partida?
COMENTARISTA - Vai ser um jogo pegado, de muita marcação, que vai ser decidido em um detalhe.
NARRADOR - E o comentário eletrônico, quando chega? Os jogadores aguardam o apito virtual e... bola rolando. O nome do jogador, você já sabe, aparece na tela assim que ele pega na bola. Então lá vai... a Alemanha. Olha o ataque rápido, envolvente, troca de passes, a defesa inglesa bobeou, o alemão caiu na área... Pênalti!
COMENTARISTA - O alemão se jogou. Os sensores nas meias e chuteiras dos envolvidos na jogada mostram claramente que não houve contato. Não foi pênalti e o cartão amarelo por simulação já consta da súmula virtual.
NARRADOR - Dramááático! Mas agora foi falta, perigosíssima, do jeito que a Inglaterra gosta. A distância é calculada e a barreira se posiciona sobre a linha acesa no gramado de LED. Bateu... por cima do gol da Alemanha, tirando tinta da trave.
COMENTARISTA - Passou a 15 centímetros. E a trave é de carbono, não tem tinta.
NARRADOR - Vem que vem a Alemanha. Lançamento para o atacante livre.
COMENTARISTA - Impedimento claro. A parede de laser já surgiu no campo.
NARRADOR - Haja coração! E tome contra-ataque da Inglaterra. O inglês recebeu livre, não tem impedimento... pra fora! Tinha a visão total, perdeu uma chance clara de gol.
COMENTARISTA - Na verdade, a câmera que dá a visão dele mostra que ele foi encoberto pelo goleiro.
NARRADOR - Olha lá, o capitão da Alemanha trocando uma ideia com o técnico. Eu queria ser uma mosquinha para saber o que eles estão dizendo.
COMENTARISTA - A câmera-inseto captou o diálogo. Tradução já disponível para o telespectador.
NARRADOR - É Copa do Mundo, amigo. Inglaterra, zero, Alemanha, também zero. Vale o título. O que estará passando pela cabeça desses jogadores?
COMENTARISTA - Pelos sensores instalados nos uniformes, a gente pode ter uma ideia bem boa. O número 10 da Inglaterra, por exemplo, está com os batimentos cardíacos altos, a pressão levemente baixa, pouco açúcar no sangue e sinais de desidratação. Quem quiser acompanhar a saúde de cada jogador, basta acessar o menu.
NARRADOR - É teste pra cardíaco, amigo. Quarenta e sete e trinta... e o computador quer jogo! Olha lá, Alemanha no ataque, pintou uma brecha, o atacante arrisca o chute de fora da área... No travessão! No chão! Em cima da linha! Foi gol ou não foi? O que diz a arbitragem eletrônica?
COMENTARISTA - O sistema foi invadido. Caiu a rede. Pane geral no sistema.
NARRADOR - É uma cena triste, amigo. O estádio em silêncio, os jogadores se olhando incrédulos. E a verdade, uma só: por causa de um hooligan, um hacker, uma pessoa que deveria ser banida do futebol, a Copa do Mundo vai ficar indefinida.
COMENTARISTA - A regra é clara: se um dia o sistema não voltar, assume o árbitro reserva, um humano. Nunca aconteceu, mas hoje parece que vai ser o caso.
NARRADOR - E quem é o juiz reserva?
COMENTARISTA - É o brasileiro Rafael Carvalho dos Santos.
NARRADOR - ...
COMENTARISTA - Tudo bem?
NARRADOR - É BRASIL! É a arbitragem brasileira na final do mundial! Quando a tecnologia não basta, chega a hora do craque do apito chamar a responsabilidade para si! Vai que é sua, Rafael! Cercado por alemães e ingleses! Sou mais você! É o apito moleque, o apito maroto, o apito brasileiro que vai decidir a Copa do Mundo! É o apito brasileiro que vai decidir a Copa do Mundo! Haaaja coração!
COMENTARISTA - E de tecnologia. Atendendo aos apelos de torcedores, cartolas, jogadores e imprensa, esta foi a primeira Copa com arbitragem eletrônica. Assim como em outros torneios, os juízes e bandeirinhas foram substituídos por câmeras, chips e sensores. Cada detalhe é monitorado. A falha humana foi substituída pela precisão da máquina.
NARRADOR - É tira-teima, ao vivo, amigo! E o que esperar da partida?
COMENTARISTA - Vai ser um jogo pegado, de muita marcação, que vai ser decidido em um detalhe.
NARRADOR - E o comentário eletrônico, quando chega? Os jogadores aguardam o apito virtual e... bola rolando. O nome do jogador, você já sabe, aparece na tela assim que ele pega na bola. Então lá vai... a Alemanha. Olha o ataque rápido, envolvente, troca de passes, a defesa inglesa bobeou, o alemão caiu na área... Pênalti!
COMENTARISTA - O alemão se jogou. Os sensores nas meias e chuteiras dos envolvidos na jogada mostram claramente que não houve contato. Não foi pênalti e o cartão amarelo por simulação já consta da súmula virtual.
NARRADOR - Dramááático! Mas agora foi falta, perigosíssima, do jeito que a Inglaterra gosta. A distância é calculada e a barreira se posiciona sobre a linha acesa no gramado de LED. Bateu... por cima do gol da Alemanha, tirando tinta da trave.
COMENTARISTA - Passou a 15 centímetros. E a trave é de carbono, não tem tinta.
NARRADOR - Vem que vem a Alemanha. Lançamento para o atacante livre.
COMENTARISTA - Impedimento claro. A parede de laser já surgiu no campo.
NARRADOR - Haja coração! E tome contra-ataque da Inglaterra. O inglês recebeu livre, não tem impedimento... pra fora! Tinha a visão total, perdeu uma chance clara de gol.
COMENTARISTA - Na verdade, a câmera que dá a visão dele mostra que ele foi encoberto pelo goleiro.
NARRADOR - Olha lá, o capitão da Alemanha trocando uma ideia com o técnico. Eu queria ser uma mosquinha para saber o que eles estão dizendo.
COMENTARISTA - A câmera-inseto captou o diálogo. Tradução já disponível para o telespectador.
NARRADOR - É Copa do Mundo, amigo. Inglaterra, zero, Alemanha, também zero. Vale o título. O que estará passando pela cabeça desses jogadores?
COMENTARISTA - Pelos sensores instalados nos uniformes, a gente pode ter uma ideia bem boa. O número 10 da Inglaterra, por exemplo, está com os batimentos cardíacos altos, a pressão levemente baixa, pouco açúcar no sangue e sinais de desidratação. Quem quiser acompanhar a saúde de cada jogador, basta acessar o menu.
NARRADOR - É teste pra cardíaco, amigo. Quarenta e sete e trinta... e o computador quer jogo! Olha lá, Alemanha no ataque, pintou uma brecha, o atacante arrisca o chute de fora da área... No travessão! No chão! Em cima da linha! Foi gol ou não foi? O que diz a arbitragem eletrônica?
COMENTARISTA - O sistema foi invadido. Caiu a rede. Pane geral no sistema.
NARRADOR - É uma cena triste, amigo. O estádio em silêncio, os jogadores se olhando incrédulos. E a verdade, uma só: por causa de um hooligan, um hacker, uma pessoa que deveria ser banida do futebol, a Copa do Mundo vai ficar indefinida.
COMENTARISTA - A regra é clara: se um dia o sistema não voltar, assume o árbitro reserva, um humano. Nunca aconteceu, mas hoje parece que vai ser o caso.
NARRADOR - E quem é o juiz reserva?
COMENTARISTA - É o brasileiro Rafael Carvalho dos Santos.
NARRADOR - ...
COMENTARISTA - Tudo bem?
NARRADOR - É BRASIL! É a arbitragem brasileira na final do mundial! Quando a tecnologia não basta, chega a hora do craque do apito chamar a responsabilidade para si! Vai que é sua, Rafael! Cercado por alemães e ingleses! Sou mais você! É o apito moleque, o apito maroto, o apito brasileiro que vai decidir a Copa do Mundo! É o apito brasileiro que vai decidir a Copa do Mundo! Haaaja coração!
COMENTARISTA - O sistema voltou.
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